sábado, dezembro 02, 2006

A primeira vez a gente nunca esquece...

Em 1998, o Tomaz Lima e eu, estávamos, em Portugal para visitar a Expo-Lisboa e participar pela primeira vez de um Congresso das Academias do Bacalhau, que acontecia no Fórum Picoas.

Nesse ano, o Presidente da Câmara de Lisboa, era o Dr. João Soares - “compadre” da Academia de Lisboa e filho do ex-Presidente de Portugal Dr. Mario Soares - que recebeu a todos os congressistas com uma visita guiada e um coquetel no Terreiro do Paço, em um fim de tarde memorável.

O ex-Presidente da Academia de Lisboa “compadre” Eduardo Almeida Nunes é um grande amigo do Tomaz Lima, considerado por ele, quase um irmão. Eduardo, como nós o chamamos, veio com a família, morar em Niterói, na altura do 25 de abril. Quando ele e a "comadre" Teresa, regressaram a Portugal, levaram nos braços o filho Marc, concebido nessa terra também conhecida carinhosamente como “cidade sorriso”. Razão pela qual, não é difícil imaginar porque Niterói sempre será motivo de boas recordações para eles.

Um ano antes do congresso, os “compadres” Almeida Nunes e Teresa, foram ter conosco no Hotel Mundial, como sempre fazem quando estamos de passagem por Lisboa. Por um capricho do destino, o Mundial que é o sítio dos almoços da Academia do Bacalhau de Lisboa e além disso, é o hotel preferido do Tomaz Lima há muitas décadas, sendo para ele, uma tradição que passou de pai para filho. Portanto, quase uma segunda casa e creio que por isso, desde que passei a frequentá-lo, há cerca de dez anos, também me sinto em casa e, de fato, em nossas estadias por lá, às vezes, esqueço-me de como se tornou imenso, depois das obras, que acompanhamos desde o início. Ainda hoje, gosto de visitar o Restaurante Varandas de Lisboa, para espreitar a poesia da parte velha da cidade, ver a silhueta do Castelo de São Jorge e respirar um pouco do ar do Tejo, lá em cima.

Voltamos para 1997. Nessa época, o “compadre” Almeida Nunes era o Presidente da ABL e insistiu para o Tomaz Lima se tornar “compadre” da ABL e fundar a Academia do Bacalhau de Niterói. Ele afirmava que teria muito gosto, de que essa fosse a primeira Academia do Bacalhau no Brasil. O Tomaz demorou a se decidir e depois de quase um ano, ele conseguiu reunir um grupo para inciar o processo de abertura da nossa academia.

Durante o Congresso em 1998, foram propostas três academias: Niterói, Brasília e Rio de Janeiro. Quando retornarmos ao Brasil, depois do congresso, fomos visitar os futuros “compadres” de Brasília e participamos do jantar de Natal, no Hotel Nacional, organizadopelo saudoso “compadre” Balsinhas. Na chegada fomos carinhosamente recebidos e hospedados pelo casal de “compadres” António Almeida e Fátima, que atualmente, por motivo de mudança, estão na Academia do Bacalhau de Recife. E foi assim, que encontramos um grupo muito animado, reunindo-se há mais tempo que nós. Pela ordem natural dos fatos, Brasília passou a ser a primeira, Niterói a segunda e o Rio de Janeiro a terceira.

Mergulhando nessas lembranças, fui invadida por outras, que foram se associando pouco a pouco, nas minhas memórias bacalhoeiras.

Lembro que da nossa primeira vez como academia congressista, na cidade de Cape Town, na África do Sul. Das Academias do Brasil, apenas Niterói, estava presente. Nos congressos, as “comadres” têm um programa à parte. Nós éramos cinco, tres compadres e duas comadres: eu e Tomaz Lima, que era o Presidente na época; o vice-Cônsul Honorário de Portugal em Niterói compadre Lúcio Ferreira de Azevedo e a Consulesa Honorária comadre Leda; e o nosso atual Presidente “compadre” João Peixe, que viveu na África do Sul e foi um dos compadres da Academia “Mãe” de Johannesburg, iniciada na década de 60, por quatro amigos que aqlmoçavam no Restaurante Chave de Ouro.

No dia seguinte, eu e a “comadre” Leda, perdemos a hora e não participamos do passeio das comadres ao safári dos pingüins. Então fomos conduzidas para o Salão de Convenções do Hotel, onde acontecia o Congresso. Lá estavam reunidos, aproximadamente 300 compadres, portugueses vindos de vários cantos do mundo. Nós ficamos na platéia, as duas, ali quietinhas, só ouvindo. Mas, alguma coisa me despertou para uma realidade, enquanto pensava comigo mesma o que fazer, para passar o tempo. Me dei conta de que não estava ali por acaso e que não teria saído do Brasil por nada que não fosse especial. Havia parado meu trabalho na editora para estar ali. E decidi que não ficaria parada, como se não houvesse mais nada no mundo a fazer. Então, peguei papel e caneta e comecei a rabiscar um bilhete que encaminhei ao Presidente Tomaz Lima, na mesa principal. Implorei a ele, que entregasse o tal papel ao Presidente Honorário Durval Marques. Ele assim o fez. E quando surgiu uma oportunidade, fui convidada para falar na tribuna do congresso. Levantei-me e fui até a tribuna. Estava tremendo. Mas fui. Peguei o microfone com a certeza que trazia uma singela contribuição, e que ela ainda mudaria muita coisa. Sugeri apenas que a partir daquele congresso, as academias acelerassem a comunicação, que até então, era via fax ou cartas e pedi que fossem criados os endereços eletrónicos e os sítios na internet para melhor visualização dos trabalhos nas academias. Recordo que naquele instante, não me dei conta do que eu havia feito. De volta ao meu lugar, fiquei ali até o final da sessão. Só algum tempo depois, percebi que eu havia quebrado um jejum de mais de trinta anos, sem que uma mulher tivesse falado no Congresso das Academias do Bacalhau. Isso aconteceu em 1999. Já se passaram alguns anos e ainda acredito que vai chegar o dia em que a Academia do Bacalhau venha receber as “comadres” não mais como coadjuvantes, mas como grandes aliadas, tanto nas tarefas de caráter sócio-cultural-filantrópico, quanto na preservação do lema “amizade-solidariedade-confiança” que fundamenta a formação das Academias.

Confesso que nesse momento, não me questiono sobre os efeitos desse relato, depois de tantos anos passados. Mas o certo é que hoje as Academias e os compadres se comunicam via internet, encurtando as distâncias e tornando ágeis os trabalhos. Desculpem a pretensão, mas penso que história é direito de quem faz! Isso ninguém nos poderá tirar!

Um Gavião de Penacho aos compadres e comadres
Labouré Lima – Niterói, RJ - Brasil

PS. Vamos postar muitas fotografias. Desde os velhos tempos até aos atuais. Aguardem. Inclusive, já aproveito para pedir a quem tenha foto curiosa de um congresso nosso ou de uma visita à academia de Niterói ou alguma outra academia, que queira nos enviar por e-mail, poderá fazê-lo para este endereço

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